quarta-feira, 1 de junho de 2011

Olhos à tona


São três da manha e escuto o telefone tocar, tinha decidido não atender pois o dia tinha sido muito puxado, havia trabalhado o dia todo e mesmo assim não seria eu o promovido, mas escuto ele tocar novamente por isso me levanto para atendê-lo,
sinto minha cara amassada, nem tinha percebido que havia um livro em cima daquele travesseiro velho.

–Sr. Eduardo, por favor.

–É ele quem fala.

–Eu sou segurança da boate aqui do centro, você poderia buscar a sua namorada aqui? Ela esta muito bêbada e disse que você viria buscá-la.
Já havíamos terminado a mais de dois meses e Sara continuava falando para todos que ainda éramos namorados, e bebendo por não sermos.
–Tudo bem, vou buscá-la
Me arrependo de ter escolhido a moto por sua aparência e não por sua potencia.

Assim que chego já me deparo com ela, dormindo na calçada em frente a boate, babando com a cara no chão.
–Sara, acorda! vou te levar pra casa.
Ela se apóia em mim e agente caminha em direção a moto que esta um pouco longe, pois não queria parar com ela na frente da boate, vendo ela assim com os cabelos escuros de sujeira me lembro de como eles eram lindos, seu rosto agora cheio de maquiagem, ela parecia tão mais velha do que realmente é, lembrando de tudo isso agora sinto ate saudade daquele tempo, e nem me lembro ao certo o porquê de ter terminado.
Chegamos e ela sequer abre os olhos, vou ter que levá-la ate seu apartamento, e mesmo quando chegamos nele ela os abre.
–Sara, acorde já chegamos no seu AP.
Ela me entrega a chave, mas também com os olhos fechados, parece que ela quer que eu a coloque na cama, mas não posso, ainda sinto algo por ela, e vela daquela forma iria talvez trazer mais sentimentos à tona, me limito a colocá-la no sofá, ela se ajeita naquele sofá pequeno, e eu olho pra ela, coloco seu cabelo ainda sujo e atrapalhado atrás de sua orelha, e nesse momento ela abre um pouco os olhos, e me lembro de como eles são azuis, eu não podia mais ficar ali, então lhe dou um beijo e vou embora.
–Tchau. Disse ela me vendo pela fresta da porta do elevador, agora com seus olhos bem abertos, mas ainda com o cabelo bem sujo, tudo igual ao dia em que nos conhecemos; fresta, olhos abertos e cabelo sujo, acho que como naquele dia, me apaixonei.  

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